Lumiar: Declaração de princípios

A Escola Lumiar, criada em 2002, com funcionamento a partir de 2003, é mantida pelo Instituto Lumiar, entidade que possui atribuições de pesquisa e desenvolvimento que vão além da escola em si, em parte com recursos fornecidos pela Fundação SEMCO, criada por Ricardo Semler, e em parte com recursos oriundos do pagamento de mensalidades por parte de seus alunos.

A Lumiar foi criada para ser uma escola experimental e inovadora. Quem a criou resolveu levar extremamente a sério as aberturas da nova Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional e os princípios arrojados incorporados aos Parâmetros Curriculares Nacionais, entre os quais os seguintes:

· Uma Visão da Educação que vê a educação como processo contínuo e permanente de desenvolvimento do ser humano que abrange não só os aspectos cognitivos desse desenvolvimento, mas também os seus aspectos emocionais e sociais, e que acontece através das múltiplas interações do indivíduo com seu ambiente humano e natural, fora e dentro da escola;

· Uma Visão da Escola que a vê como ambiente privilegiado de aprendizagem, organizado para propiciar aos alunos oportunidades de aprendizagem ricas, flexíveis e envolventes, que encoraje a liberdade de aprender, incentive a autonomia do aluno e, ao mesmo tempo, exija dele responsabilidade pelas suas escolhas, decisões e ações, dentro de um clima que favoreça a individualidade e, ao mesmo tempo, a cooperação; a diversidade e, ao mesmo tempo, a igualdade de direitos e a existência de atributos comuns; a tolerância e o respeito mútuo;

· Um Currículo focado no desenvolvimento de competências pelos alunos e não na transmissão de conteúdos disciplinares pelos professores e que se caracteriza, portanto, como uma Matriz de Competências, organizada ao redor dos Quatro Pilares da Educação propostos pela UNESCO, em vez de uma grade de disciplinas;

· Uma Metodologia centrada na participação em Projetos de Aprendizagem cuidadosamente definidos para facilitar aos envolvidos o desenvolvimento de competências específicas e oferecidos em quantidades e modalidades suficientes para propiciar aos alunos real liberdade de escolha, participação essa que substitui as aulas tradicionais;

· Um conjunto de Profissionais Pedagógicos diferenciados em dois grupos:

  • de um lado, Educadores (Mentores, Orientadores, Conselheiros) dos alunos, que são contratados pela escola em tempo integral (mínimo de seis horas) e que têm a função de acompanhar e supervisionar, ano a ano, um mesmo grupo de alunos em todas as suas atividades, inclusive nas presumidas como apenas recreativas, interagir com eles e com seus pais com o objetivo de incorporar informações extra-escolares ao Portfólio de Aprendizagem dos alunos e manter os pais informados sobre o desempenho do aluno na escola, assistir os alunos, juntamente com os pais, na escolha dos projetos de que irão participar, e avaliá-los periodicamente (pelo menos a cada dois meses e ao final do ano);
  • de outro lado, Mestres com competência e alto nível de interesse em áreas que possam servir para o desenvolvimento de competências por parte dos alunos, que são contratados pela escola por períodos limitados (dois a quatro meses em regra) e que têm a função de planejar e coordenar projetos de aprendizagem e avaliar o desenvolvimento das competências dos alunos que participam desses projetos;

· Um uso criativo e inovador da Tecnologia, que a põe a funcionar como ferramenta da aprendizagem individualizada e personalizada do aluno e não como uma ferramenta de apoio ao ensino do professor no gerenciamento da classe e na transmissão de conteúdos disciplinares;

· Uma Forma de Gestão democrática e participativa que encontra sua melhor expressão na Roda, que é uma assembléia geral da comunidade escolar que se reúne todas as semanas para discutir problemas que lhe são trazidos por qualquer membro da comunidade escolar e que vão desde questões disciplinares até questões relacionadas à natureza da comida servida ou da limpeza dos banheiros.

Numa visão como esta, a Lumiar, em vez de focar no conhecimento disciplinar e transversalizar o desenvolvimento de competências, faz o contrário: foca no desenvolvimento de competências e transversaliza a busca de conhecimento disciplinar, que entra na formação do aluno à medida que se mostra necessário ou útil para a realização dos projetos de aprendizagem.

Em Campinas, 23 de Novembro de 2007

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